Exposições

"Noite de Festa"
Manoel Ribeiro
Ainda pequeno, na cidade de Recife, o artista Manoel Ribeiro já viajava na imaginação através das histórias que ouvia atentamente de seu avô, passando horas imerso naqueles contos fascinantes. Seu talento artístico manifestou-se cedo, na quarta série, quando foi premiado em um concurso de desenho que selecionou sua ilustração para um livro da renomada escritora Maria Clara Machado. Como prêmio por essa conquista, ele ganhou uma bicicleta, objeto que, por timidez da infância, morria de vergonha de usar. Hoje, consolidado no cenário artístico, Manoel encontra o prazer de resgatar essa rica bagagem em suas obras utilizando a técnica de acrílica sobre tela, trazendo para as pinturas cores e traços que traduzem sua identidade e história. Para ele, o fortalecimento dessa memória é uma verdadeira missão, pois considera fundamental que os jovens conheçam o próprio passado para que, no futuro, jamais se esqueçam de suas verdadeiras origens.
"Ai que saudade de minha pequena cidade! Dedico minhas obras a meu amado e grande inspirador que até hoje me serve como referência de cidadão. Meu avô Manoel Ribeiro."
"Saudades"
Manoel Ribeiro
Para cada instante, fase ou aspecto da vida humana, a imaginação popular, em sua eterna ingenuidade, criou um punhado de superstições transmitidas de geração em geração, séculos afora. Desde a concepção, passando pela gestação, nascimento, batismo, dentição, engatinhamento, fala, doenças da infância, anos da meninice, puberdade, namoro, noivado, casamento e viuvez, até a morte e além dela — todas as etapas pelas quais passa o pobre ser humano estão marcadas por um caudal infindo de crendices. Nesta exposição, desfilaremos as mais comuns, ligadas diretamente à morte.
"Dedicatória:"
Quando uma folha, ao soprar do vento, cai de um galho de árvore bem devagar e chega até o chão, é sinal de que mais um ciclo se encerra. Assim, conseguimos compreender e admirar o maior milagre que Deus nos proporciona: sentir e observar o encerramento de um ciclo. Seja ele pequeno ou grande, compreendemos que passamos por todos os estágios de uma vida: nascemos, crescemos e morremos. Isso é uma dádiva concedida pela força maior que nos rege, embora sejam poucas as pessoas que conseguem enxergar essa maravilha.
"Como é lindo observar o encerrar de um ciclo, mesmo que este me rasgue o peito."
Saudades... Saudades de quem se foi sem se despedir e sem avisar que a vida não seria a mesma na ausência daqueles que tanto nos deram carinho e ensinamentos. Saudade é a palavra que completa meu coração e enche meus ouvidos com um eco infinito. Eu até poderia substituí-la pela palavra "falta", mas se assim o fosse, o vazio poderia ser preenchido por qualquer outra coisa. A saudade não; ela me completa e me enche de esperança de, um dia, revê-los ou de conhecer aqueles que partiram antes do meu nascimento. "Saudades."
Dedico esta exposição aos meus avós Manoel Ribeiro, Sebastiana Dionísio, José Correia Teixeira Filho e Flora Maria da Conceição, nascidos, criados e sepultados numa terra tão castigada pela seca e rica em diversidades culturais chamada Limoeiro.
"Sobre o artista"
Nascido na cidade de Limoeiro, no interior de Pernambuco, o artista teve sua infância rodeada pela magia dos mestres de Folia de Reis, Maracatu, Bumba Meu Boi e tantas outras manifestações populares que resistem até hoje. No ano de 1999, ele migrou para o Rio de Janeiro, trazendo consigo uma bagagem enorme e repleta de sabedorias populares de um povo que, embora castigado pela seca e pela fome, possui uma cultura de raiz riquíssima transmitida de geração em geração. Atualmente, cursa Licenciatura em Belas Artes na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e desenvolve trabalhos expressivos nas áreas de escultura, pintura e teatro. Manoel Ribeiro Neto reside no município de Itaguaí, cidade que o acolheu calorosamente desde sua chegada ao território fluminense.

